quarta-feira, 27 de maio de 2009

Apresentação de Maria Cura em Montemor - IV Encontro do Luso




As minhas grandes amigas Magda e Lurdes, falando para os escritores e poetas presentes do meu terceiro livro "Diário de Maria Cura"
Estarão em Lisboa no próximo dia seis, juntamente com a Vera Silva, num trio maravilha para revelar os segredos desta mulher.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Apresentação em Vila Verde de "Maria Cura"










Foi um momento emocionante para mim, como são todos aqueles em que apresento livros meus.
Rodeio-me de amigos e rodeiam-me os leitores de amizade.
Desta feita, Ilda Gomes encantou os presentes com a sua voz, Flávio Lopes dedilhou com a mestria habitual a guitarra, e António Paiva dissertou brilhantemente sobre o livro.
Agradeço com o coração a todos e à Câmara Municipal de Vila Verde, na pessoa do Bibliotecário Municipal, Dr. Tiago Lopes.

sábado, 2 de maio de 2009

Aos meus meninos

Sou professor de Educação física e treinador de futebol.
Treino há cerca de um ano um conjunto de alunos de uma academia de futebol, nascidos no ano de 2001.
Durante cerca de oito meses, esta equipa de garotos fantásticos, venceu todos os jogos que disputou da liga-mini organizada por um conjunto de 12 equipas.
Há cerca de um mês foi vencida pela primeira vez no torneio Distrital sport zone, entre três dezenas de equipas, nas meias finais do torneio de dois dias.
Foi uma tragédia. O que choraram aqueles pequenos heróis de sonho desfeito...
Disse-lhes que tinhamos crescido nesse dia.
Assim foi.
Amanhã, pelas 15 horas, no complexo Desportivo dos Sandinenses, disputam a final do seu escalão, do torneio Internacional Guimarães cup, depois de brilhantemente terem vencido o Sporting Clube de Portugal, o Vitória de Guimarães e o Esposende. Empataram com os "Galácticos", que defrontam amanhã na final.
Sonharei com a vitória junto convosco esta noite. E se perdermos, cresceremos ainda mais.
Bons sonhos meus meninos.

Nota: No dia 3 de Maio, defrontamos os Galácticos com quem tinhamos empatado na fase de grupos, vencendo por 8-6.
Vencemos o torneio. parabéns aos pais e aos meus alunos que foram fantásticos.

terça-feira, 21 de abril de 2009

"Diário de Maria Cura" - Livrarias onde pode ser adquirido

COIMBRA

Almedina Estádio Cidade Coimbra
Morada:Rua D. Manuel I, n.º 26 e 28
3030 - 320 Coimbra
Telefone:+351 239 406 266


Livraria Casa Castelo

Morada:
Rua da Sofia, 47/49
3000 – 309 Coimbra
Telefone:+351 239 853 306


ÉVORA

Intensidez Bibliocafé
Morada:
Rua Escrivão da Câmara, 10/10A
7000-524 Évora
Telefone:
+351 266 735 735


LISBOA

Almedina Atrium do Saldanha
Morada:Praça Duque de Saldanha, 1
1050 - 094 Lisboa
Telefone:+351 213 570 428



Livraria Barata
Morada:Avenida de Roma, nº11A
1049-047 Lisboa
Telefone:+351 21 842 83 50


Livraria Ler

Morada:Rua Almeida e Sousa, 24 – C
1350 – 011 Lisboa
Telefone:+351 213 888 371


Livraria Letra +
Morada:Rua Filipe Folque, 12 B
1050 – 113 Lisboa
Telefone:+351 213 522 034


MASSAMÁ – (Queluz)
Livraria Papelaria Modo
Morada:Rua Professor Dr. Sousa Martins 104 Loja
Massamá
Telefone:+351 214 393 278


PORTO

Almedina Arrábida Shopping
Morada:Praceta Henrique Moreira, 244
Afurada - 4400 – 475 V. N. Gaia
Telefone:+351 223 701 989

Fnac santa Catarina
(A partir de 15 de maio)

O livro pode também ser adquirido através do site da editora:
www.temas-originais.pt

ou por pedido para o meu mail:
joseilidiotorres@sapo.pt

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Dia 18 de Abril no Gato Escaldado



No próximo dia 18 de Abril, no Bar Gato Escaldado, em Braga (localização em anexo), direi poemas dedicados à mulher e ao amor, seja isso coisa possível de ser feita por palavras.
A homenagem estende-se à protagonista do meu último romance: Maria Cura.
Assinarei os livros que queiram fazer o favor de adquirir, da editora Temas Originais, cuja pré-apresentação está marcada para a Biblioteca Municipal de Vila Verde, no dia 30 de Abril.
Um abraço e até lá.

Localização:
O primeiro ponto de referência é a MAKRO , ( na rotunda com palmeiras onde se encontra a CGD e o Santander, visualizamos um reclame vermelho que diz Restaurante), segue-se no sentido deste e vira-se na 1ª à esqª onde se avista um quiosque branco do lado dtº e o Banco Barclays, depois vira-se na 2ª. rua novamente à esqª seguindo até ao fim desta, passando por uma passadeira com lomba, vamos ficar com um prédio em frente onde se pode ver um reclame amarelo no primeiro andar a dizer "Gato Escaldado Bar"

sábado, 11 de abril de 2009


"Diário de Maria Cura" - Sinopse

Uma bela mulher é assassinada na noite de Carnaval. A polícia, na procura de pistas que levem ao criminoso, depara-se com um diário num site de escrita chamado Luso-Poemas, onde a falecida retrata sobre a identidade de Maria Cura uma série de relacionamentos que mantém.

Há uma pergunta sem resposta no ar:
Quem matou Maria Cura?


José Torres, em parceria com a Temas Originais, edita «Diário de Maria Cura», e convida todos os leitores e amigos a estarem presentes nos diversos momentos que o autor prevê realizar de norte a sul do país.

Agenda:

18 de Abril – Sessão de Poesia no Gato Escaldado Bar em Braga, com declamação de poemas dedicados á mulher e ao amor.
Sessão de autógrafos do livro.


30 de Abril
Pré apresentação na Biblioteca Municipal de Vila Verde (Braga), com vários convidados e momentos musicais.



Maio

Apresentações do livro no Porto, em Coimbra e Lisboa, em locais a confirmar brevemente.

10 de Junho

Apresentação na Feira do Livro de Barcelos

A partir de 12 de Junho

Apresentação na Feira do Livro de Viana do Castelo.

Outras presenças em Feiras do Livro estão a ser preparadas.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"Diário de Maria Cura"


O livro está pronto e já o tenho nas mãos.
Novela? Romance?
Uma fantástica experiência de escrita que começou há mais de um ano.
A editora é a Temas Originais e o livro tem já marcadas diversas apresentações e presenças em Feiras do Livro.
Oportunamente darei conta dessas datas aqui.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

António Paiva em novo livro


Fica aqui neste blog o convite para que assistam ao lançamento do novo livro do meu grande amigo António Paiva, escritor radicado na Madeira.
O António escolheu-me para apresentar a sua obra «Pedaços de vida e fantasia», tarefa fácil pela afinidade que sinto pelas suas palavras.
Deixo-vos o convite.

O Gigante


Acenei para o Gigante quando saí da aldeia a caminho do mar, e fiquei com a sensação de que a sua mão levantada quis dizer algo mais que Bom Dia. Talvez tivesse perdido o ensejo de me cravar uma cerveja, apesar de ser só início da manhã, ou quiçá apenas um cigarro…
Apesar disso, rapidamente me esqueci da sua figura de metro e cinquenta de altura e quarenta e tal quilos de peso, numa roupa larga.
Cheguei conduzido por pensamentos aflitos, por isso quase não me lembro da viagem, muito menos da paisagem do caminho, que essa, já fiz tantas vezes quantas as vezes em que a atracção do mar falou mais alto dentro de mim.
Quando me vi estava no meio das gentes sem as avistar, e guiava-me por gritos de gaivota que não estou certo ter ouvido de facto.
Vesti os olhos na suave neblina e vi o farol da foz pelo som rouco de aviso que logo depois parou.
Parecia um encontro de namorados. Eu levava na mão o desejo louco de afagar a face morena da areia, de me perder no beijo meigo das águas, e de morrer por esse amor.
O rio recuou quando cheguei, penso que até antes, enciumado.
Do mar vinha a corrente salgada a rumar no sentido contrário da minha viagem, que afinal foi ponto de partida, abraçando o corpo de dunas.
Sempre fico nos lugares de onde parto, mesmo quando me procuro. A minha vida é um eterno retorno, do qual eu próprio sou farol.
É de mim que me avisto para o outro, e sou irremediavelmente uma conjugação presente de todos os tempos.
E tenho medo às vezes. Tanto que me disfarço de tudo o que sou de facto só para que isso não me aborreça, para que o tédio não me provoque arteriosclerose nos olhos por onde me avisto.
Passeei nas margens da memória, por entre musgo e patos bravos e não toquei sequer o chão. A leveza daquele mar amado, a ele sempre retornado, fazia de cada pequeno momento uma eternidade. De sol quente sobre os ombros, sacudindo poemas cravados nas costas, desaguei.
Devo ter regressado na maré-alta ao cruzamento de onde avistei pela manhã o Gigante, qual Adamastor de metro e meio afagando-me num atrasado cumprimento.
Encontrei-o no café de sempre, a jogar dominó com o vento.
Juro que da sua mão vi sair gaivotas, quando mais tarde, antes ainda de me pedir uma cerveja, abraçando-me nos olhos me disse que eu estava com problemas na vida, e que se precisasse dele estaria presente como um amigo.
E tentou explicar-me porquê, mas não precisou, porque eu já voava em bando com a minha verdade, desafiando a liberdade com a asa.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Noite de poesia no Gato Escaldado









Uma noite muito especial. Amigos que seguem aquilo que escrevo, desconhecidos. Durante duas horas, com intervalo para beber um copo e fumar umas cigarradas.
Flávio à guitarra.
Silvério, Jaber, Armindo Cerqueira, JSL, Helena e José Torres na voz.
O dinamizador do espaço é o artista plástico Luís Ramos, que é pai do Paulo, o mentor.
Grande abraço a todos. Voltaremos.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Dia 12 de Março no Gato Escaldado - Bar


No próximo dia 12 de Março, a partir das 22 horas, estarei no Bar "Gato Escaldado" em Braga para dizer poesia minha e de outros amigos e falar dos meus livros.
Convidei o Flávio Lopes para me acompanhar à guitarra e alguns dizeurs meus conhecidos.
Convido todos os poetas e amigos a deslocarem-se até este simpático espaço, que fica próximo da Makro.(ver link)
O espaço é muito interessante, e o convite surgiu do artista plástico Luís Ramos, depois de tomar contacto com aquilo que escrevo.
De há uns tempos a esta parte assumi plenamente a vertente de recitador, e tenho tido imenso prazer em fazê-lo.
Desde já agradeço a vossa visita e participação.

http://www.gatoescaldadobar.com/

domingo, 15 de fevereiro de 2009

A morte olhou-me hoje no rosto





"O teu sorriso viverá em nós para sempre"


A morte olhou-me hoje no rosto. De soslaio numa curva discreta.
Vinha ao volante da incúria e tinha borbulhas na face. Ainda sinto na pele o seu hálito a mentol, o seu perverso beijo.
Trago-a nos olhos desde a manhã de hoje, mas já não tem expressões, nem traços, nem rosto nem face, a morte que vive agora dentro de mim. Só uns olhos morenos que me espreitam na curva apertada do meu ser. A eternidade de um momento vivido.
É assim que se morre, agora sei.

Amanhã não existe nunca. Assassinaram a esperança num bairro do Porto.
No Aleixo a saltar ao eixo, meu amigo de lata, meu pobre amigo da desgraça, morreu só.
Chamava-se outra vez Luís, mais uma vez Luís, o meu amigo que partiu sem me avisar.
Estou ainda a boiar nesse tanque de desassossego por ti.
Drogar-me-ei de saudade até ao fim dos meus dias, até me secarem as veias de ódio a quem te ceifou a juventude, até a consumir toda.
Chamava-se Luís, outra vez Luís, mais uma vez Luís, o meu amigo que a morte levou. A morte que hoje me olhou, a saltar ao eixo na curva pronunciada da minha demora.
No rosto as lágrimas rasgam-me a carne como punhais.

Não sei porque razão afinada, aqui ao meu lado, Beatriz canta uma canção que aprendeu na escola.
Sigo na melodia para uma página em branco, disposto a dizer à vida que a amo, apesar de conhecer a morte por dentro, e seja isso a primeira das últimas coisas que hoje farei.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Tenho um capeta numa garrafa guardado


Foto: qdivertido.com.br


Latem cães na madrugada anunciando o dia.
Há homens acocorados vigilantes.
São os últimos pioneiros da covardia.

Uivam como lobos, matam os cordeiros.
Acordados no passado de todos os instantes
Dos últimos homens, os primeiros

Untam-se em mesquinhos pensamentos
Futuristas acabados e delirantes
Falsos médicos e seus fatais unguentos

Alguns reclamam até magistratura
Filhos bastardos de Reis, os Infantes
Em coisas de leis e até em literatura

É preciso cuidado ao dobrar da esquina
Montam esperas e tocam concertina
Os chacais das terras mais distantes

Sua música é letal de tão fina
Sua canção de ódio não desafina
É morte anunciada no leito dos amantes

Tenho um destes numa garrafa guardado
É capeta convencido, arrogante e malcriado
Dança samba e canta até o fado
Mas já não o faz como antes fazia

Estou a pensar rifá-lo
Numa feira como velharia
Alguém quer comprá-lo?

sábado, 27 de dezembro de 2008

Numa colmeia de palavras as abelhas são as prostitutas mais belas

Para Marco G.

Há palavras pétalas por todo o lado tombando no chão do poema. Um cheiro doce.
Vindas do nada as abelhas.
Num instante incendeia-se o ar de uma serenidade de asas, de uma combustão criativa.
As letras uma por uma sugadas, palavra a palavra devoradas.
A boca do poema derramará sem pretexto a seu tempo o mel, que é o texto num orgasmo lento.
O poeta é um apicultor dos orgasmos das palavras. Neles se expande mesmo quando se masturba, pois é em si mesmo poema.
Sua alma hermafrodita é prostituta, mas fiel como cada abelha sintonizada à sua colmeia.
Quem junta palavras procura opostos. Rima cada coisa com a sua contradição afinal.
Numa colmeia de palavras as abelhas são as prostitutas mais belas, pois cada uma é a parte mais libertina de um todo lexical.

O sol nascente encurralou a neblina no vale

O sol nascente encurralou a neblina no vale.
Lá, onde as igrejas se adivinham pelo dobrar dos sinos, e a torre mais alta estica o pescoço fino para impor a manhã clara das coisas.
Aqui, bem próximo de mim, o peru canta vitória sobre a madrugada que lhe prolongou a vida e as galinhas debicam com alegria os restos da ceia em ameno cacarejo.
Também o cão já deu bom dia ao dono e ladra a espaços para comunicar com todos na quinta, avisando longe, que foi ali naquele lugar colado aos montes que nasceu o sol, imperial, mesmo desconhecendo que este a todos pertence.
Ontem, quando a noite trouxe as sombras aos caminhos, havia mais luz em todas as casas, mais brilho em todas as fachadas.
À volta de uma mesa partilharam-se gostos, paladares e sorrisos com as crianças. Cada uma trazia já nos olhos o sol que nasceu hoje sobre o vale.
Nesta manhã de prendas e meninos felizes da minha aldeia, há homens vestidos de esperança, um adro de igreja. Um copo com que se brinda o nascimento.
Com fraternidade, com alegria, sem tempo.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Há um texto escondido que ainda não foi escrito


Desenho no paint do meu filho de 4 anos

Há um texto escondido que ainda não foi escrito
Há um destino que não cabe no texto
Há um estigma e há uma cruz
Mero pretexto, a precisar de ser dito

Há uma revolta e um frenesim de luz
Na luz que emana de uma simples candeia
Um presépio de pus a escorrer
Nesta liberdade à boca cheia

Teu ventre é o meu búzio fonema
Trapézio sem mãos onde anseio morrer
Minha eterna procura, solução e poema
Palavras à espera de quem as saiba escrever

O meu texto tem pernas de mulher
Descruzadas,
Insinuantes e ofertadas
Tem olhos no que a boca disser

Por ele arrisco cair
Chegar e partir
E arriscar para começar
haja o que houver

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Apresentação do livro de Maria Sousa - "Azul que não se sabe se é de céu ou de mar"



Foi com muito orgulho que apresentei a poetisa Maria Sousa no passado sábado no Real Feytoria, na ribeira do Porto.
Convido-os a conhecerem os seus poemas.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O meu primeiro livro como Ebook em todo o mundo



A partir de hoje o meu primeiro livro está à venda, 24H por dia, para todo o mundo. Podes visitar o mesmo neste link:

http://www.worldartfriends.com/store/72-a-tristeza-matou-os-peixes-que-nadavam-nos-teus-olhos.html

Poderás adquirir o meu livro por apenas 2,99€, como Ebook (livro electrónico).

É bastante simples:

Entra em:

http://www.worldartfriends.com/store/


Regista-te.

Tudo o que comprares pode ser pago de 2 formas:

-Cartão de crédito (Paypal) ou MBNET- Simples e rápido. O livro ficará disponível na hora para download.

-Transferência bancária- Aparecerá um NIB para o qual deverás fazer a transferência do valor.
O livro estará disponível , para o descarregares, após o pagamento ser detectado pela contabilidade da editora.
Este processo pode demorar entre 2 a 7 dias após o pagamento.
A transferência bancária pode ser efectuada em qualquer caixa Multibanco ou através de "Home banking" se tiveres acesso à tua conta através da Internet.

Visita a comunidade gratuita Worldartfriends.
Podes ver textos meus e de outros escritores.
Poderás colocar os teus próprios poemas, músicas, vídeos e fotografias. Participar em concursos.
Ter acesso a Chat, Rádio e email. Faz amigos . Tudo isto Gratuitamente em :

www.worldartfriends.com

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

De como se deve comer uma boa rojoada em dia de Restauração



porquinhos.com.sapo.pt/
Tome-se do porco a carne mais as entranhas. Coloque-se a carne a marinar generosamente em vinho novo e louro fresco do morro. À trança de alhos retirem-se as cabeças mais iluminadas.
Os cominhos lançados como quem semeia o amanhã.
A gosto o sal.
Separem-se as partes viscerais do animal. O sangue bem cozido, assim como a tripa, mais o bucho. O fígado lascado transversal.
A Banha convém que seja de qualidade reconhecida, feita daquilo que o animal acumulou de liberdade, de profunda incerteza no fossar.
Nessa busca cozinhe-se primeiro a carne.
Em lume alto de independência. Até que o vinho a tome como a terra toma os homens. Até que o cheiro se espalhe por toda a casa e por todo o lugar.
Reserve-se os rojões em caçarola de barro pintada.
Na banha líquida e depurada, deite-se a tripa em cama de garbo, mais todas as outras partes do estômago do animal.
Cozinhe-se num ritual sem tempo. Na genealogia das famílias, afiadas como facas. De pai para filho.
E por fim o sangue.
Abundantemente misturado no alho fino, etapa final de uma vida e um destino.
Semeiem-se os cominhos.
E que se impregne da banha de porco que o cozinhou, cumprindo-se o destino do animal.
PORTUGAL.

Nota 1: Para apreciar este prato é necessário entender o porco por dentro .
O vinho a rodos e alguns amigos, poucos.

Antologia Luso-poemas 2007


Sob a chancela da Edium Editores será lançado no próximo dia 13 de Dezembro, na cidade de Lisboa, o livro “Antologia Luso-Poemas 2008”, uma compilação de diversos textos de vários autores que publicaram neste site, durante o ano anterior. Uma referência na escrita feita na internet e fora dela.
Numerosos autores editaram os seus livros através do site. Uma família alargada de gente que se encontra, confraterniza, e à qual eu tenho a honra de pertencer.
Publico no site desde 2007 e fui escolhido para figurar nesta antologia com textos em prosa.

Lista de autores da Antologia Luso-poemas 2008
www.luso-poemas.net



Alemtagus
Betha M Costa
Carla Costeira
Carlos Carpinteiro
Carlos Said
Carolina
Cleo
Conceição B
Daniela Pereira
Expanta
Flávio Silver
Fly
freudnãomorreu
Gilberto
Godi
Goretidias
Henrique Pedro
João Filipe Ferreira
João Videira Santos
José Torres
Júlio Saraiva
Karla Bardanza
Le Tab
Ledalge
Luís Ferreira
Margarete
Maria Sousa
Mel de Carvalho
Noite
Paulo Afonso Ramos
Pedra filosofal
Rosa Maria Anselmo
Sandra Fonseca
Tália
TrabisdeMenta
Tytta
Valdevinoxis
Vera Carvalho
Vera Silva

domingo, 30 de novembro de 2008

Flávio Lopes - Apresentação do novo livro




No próximo dia 5 de Dezembro, pelas 21,30, o meu irmão de letras e amigo Flávio, apresenta no Auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos o seu mais recente livro.
"Sou um louco que sabe tocar acordeão", pela Edium Editores.
José Lourenço e Armindo Cerqueira apresentarão livro e autor.
Serão ditos poemas da obra por Fátima Marques e Fernando Soares.
Meu amigo, estarei na primeira fila dos que te apreciam e te conhecem bem. Desejo-te o sucesso e o reconhecimento alargado que te tarda.
Um abraço

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Anadia - Vanda Paz






Apresentação do livro de Vanda Paz - Anadia - Museu do vinho.
Um encontro de amigos da escrita e a celebração da poesia de uma amiga que faz parte de nós.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Primeiro livro de Vanda Paz




António Paiva escreveu o prefácio e vai apresentar a obra. A mãe da autora, Helena Paz, pintou a capa do livro.

Pré - Lançamento
Dia 21 de Novembro
Escola Superior Agrária de Santarém em Santarém
Às 21 horas no Auditório da Escola


Lançamento
Dia 23 de Novembro
Museu do Vinho da Bairrada em Anadia
Às 15 horas no Auditório do Museu

Querida amiga Vanda, és uma enóloga de créditos reconhecidos, e quem com tanto amor faz da uva néctar, também faz das palavras poesia. Eu sempre soube isso. E tu?
Desejo-te o maior sucesso para este livro e põe se fazes favor mais um prato na mesa.

O livro do meu amigo Fernando Saiote


"Será apresentado no próximo dia 29 de Novembro, pelas 21.00 horas, a obra poética de Fernando Saiote intitulada “Pedras Soltas”. O evento decorrerá em Montemor-o-Novo, no espaço “Música ao largo” (Largo da Matriz, 19), a partir das 21 horas. Obra e autor serão apresentados pelos Prof. João Luís Nabo e Prof. Vítor Guita."
Meu amigo, tu que és da linhagem dos Saiotes, recebe o meu abraço de felicitações e que tenhas muito sucesso com este livro que bem o mereces pela forma como tratas as palavras.
Contigo, de amigo para amigo.

Eu já aderi, e tu porque esperas?



Vale a pena pensar Portugal assim. Vai por mim.
Fonte: Mil Notícias - Outono 2008

No princípio era o sol


A minha grande amiga e poetisa Mel de Carvalho acaba de editar "No princípio era o sol", livro de poemas com a chancela da Edium Editores.
É pois com grande alegria que o recomendo vivamente a todos os leitores.
"Ao adquiri-lo está a contribuir com 10% do valor de capa para a AIPNE - ASSOCIAÇÃO PARA A INTEGRAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS".
Parabéns minha amiga pela tua atenção aos mais necessitados do nosso apoio.
Poderá ser adquirido através de um link que se encontra no seu blog: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Um texto fora


Foto de João Luz - (wophy.com), recuperada de um outro post. - Fantástica

Hoje é o tempo. Tenho disso a certeza em cada coisa.
Houve, no entanto um tempo, em que as coisas me pareciam diferentes. Eu parecia estar fora do tempo e fora das coisas.
Desconfio que hoje se acertaram os ponteiros do meu tempo por razão evidente, e disso tenho quase a certeza.
Foi como se tivesse acordado ontem do sonho de um novo amanhã. O dia de hoje é o presente do meu sonho.
Hoje é o tempo.
De mudar o futuro a cada dia, de transformar cada coisa. Em todos os segundos.
Hoje é dia de dizer alto o amor, de semear sem planos a amizade. É dia de colher o fruto que não escolhe estação, é dia sem condição.
Hoje é o dia de deixar de contar os minutos e ver passar as horas. É o dia sem dia onde o dia mora.
É hoje.
Nem que chova, nem que faça sol. Todos os dias são dias bons para escrever.
Amanhã não existe por agora.

Apresentação do livro de poesia de Maria Sousa


No próximo dia 6 de dezembro, apresentarei a convite da minha amiga Maria Sousa o seu livro de poesia "Azul que não se sabe se é de céu ou de mar".
É com muito prazer e honrado pela sua escolha que aqui vos deixo o cartaz do evento.

domingo, 2 de novembro de 2008

Por uma linha

Se me apetecesse escrever uma linha que fosse…
Se ao menos me apetecesse uma linha
Que fosse de caminho
Que se lesse de carreirinha
E de ferro fosse…

Se ao menos me apetecesse a página como ninho
E desse modo a construção do verbo
Nem que fossem as palavras eterno voo
E cobriria o teu corpo com adjectivos de fino linho
Sem custo, sem dor, nem enjoo…

Mas sopra em mim destino de maior acervo
Forçado que estou à escravidão pela liberdade
Um vento que de tão norte
Leva consigo a própria verdade
E por aí escapa de soslaio
À morte.

josé ilídio torres
(todos os direitos reservados)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Hora do Conto em Távora (Arcos de Valdevez)





No passado dia 15 de Outubro convivi com os meus alunos de 5º e 6º ano, apresentando-lhes o meu livro "Contos de Água e Areia".
O convite foi uma gentileza da equipa da Biblioteca Escolar, tendo participado na iníciativa cerca de 70 alunos.
Todos escutaram atentamente o conto "Beatriz e o espelho mágico", gravado por Luís Gaspar e que está disponível neste blog.
No final, a conversa foi animada e a todas as questões respondi com um sorriso de enorme satisfação.
Escrevo também para vocês. Obrigado a todos.

Balada de um amor só

Olha-me nos olhos
Olha-me só
Olha-me
Só nos olhos

Que vês no que vês
Vês só os olhos
Os vês
Só o que vês?

Olha-me agora
Neste instante que te olha
Que vês?
Só os meus olhos sós
Ou só o que vês?

Olho-te nos olhos
Sei o que vejo
Não me vejo só
Só porque me vês.


R - todos os direitos reservados

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

À vossa


Decidi dar um novo rumo a este blog...
Saúde.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O Rio do Esquecimento


.
Tapeçaria de Almada Negreiros existente no Hotel de Santa Luzia em Viana do Castelo
" Comandadas por Décios Junos Brutos, as hostes romanas atingiram a margem esquerda do Lima no ano 135 aC. A beleza do lugar as fez julgarem-se perante o lendário rio Lethes, que apagava todas as lembranças da memória de quem o atravessasse, os soldados negaram-se a atravessá-lo. Então, empunhando o estandarte das águias de Roma o comandante chamou da outra margem a cada soldado pelo seu nome. Assim lhes provou não ser esse o rio do esquecimento."
________________________________________
«Com relação ao rio Lima, história e lenda encontram-se tão interligadas que nem sempre é fácil delimitar onde acaba uma e começa outra.
Foi sempre a beleza do rio a provocar encómios e o sentimento de incapacidade duma expressão condigna a atrair o poder sugestivo da lenda.
Vem dos velhos tempos o processo. Estrabão designou-o por Beliom e relata ter ocorrido nas suas margens um episódio militar entre Túrdulos e Célticos.
Iam já a atravessá-lo quando surgiu entre os dois povos uma discórdia.
Lutaram e foi o sangue do próprio comandante que se juntou ao de muitos outros a macular a brancura das águas.
Desorientados ficaram os soldados e, sem comando, se dispersaram pelas margens, em luta pela sobrevivência.
Lucano chamou-lhe o "Deus do Tacitus", em virtude da mansidão com que corriam as suas águas.
Tito Lívio denominou-o "Rio do Esquecimento" ("Oblivionis fluvis ou flumen").
Surgiu, então, a sua identificação como Lethes da mitologia, que tinha o condão de provocar em todos os que o transpusessem o olvido do passado e da própria pátria.
Campos Elísios passaram, em consequência, a apelidar-se os que circundavam, isto é, as suas margens.
Mais semelhantes a jardins, no conceito mitológico; onde, segundo o testemunho de Políbio, só durante três meses do ano as rosas não floriam.
E ainda Estrabão que nos diz ser esta a terra perfeita por qualquer fugitivo de Roma.
Dentro deste condicionalismo, aqui chegaram um dia, sob o comando de Décios Junos Brutos, as legiões romanas, com as altivas águias a tremularem nos pendões.
Vitoriosas haviam pisado as terras que estavam para sul e propunham-se prosseguir.
Desciam, a justante, dos lados de Ponte de Lima e teriam iniciado a jornada desse dia em Vitorino das Donas:
"Daqui saiu Bruto pelos campos tão celebrados com o nome de Elysios a procurar lugar em que com o seu exército pudesse vadear as cristalinas águas do Lethes tão respeitadas com a fabula virtude de encantadoras." (João de Barros, Antiguidades de Entre Douro e Minho).
Encontravam-se no lugar da Passagem e fácil pareceu ao comandante a travessia.
Nesse sentido emitiu ordens, mas encarniçada se revelou a resistência dos soldados, conhecedores como eram dos poderes sortílegos atribuídos às suas águas.
Não perdeu ele a serenidade nem achou conveniente procurar convencê-los por meio de palavras.
Tomou a bandeira, ergueu-a ao alto, transpôs o vau e, já da outra margem, a muitos chamou pelo nome e incitou a seguirem-lhe o exemplo.
Por esse meio os convenceu de que, afinal, não era verdade o que a lenda propalava.
Assim exaltado nos advém, das mais longínquas eras, o fascínio deste rio que até aos nossos dias tem sido cantado por todos quantos puderam contemplá-lo.»
Conde de Bertiandos, in Lendas, 1898.

Conto: O Rio do Esquecimento Por: José Ilídio Torres

Festejava-se no acampamento romano a vitória desse dia do homem sobre a lenda, do poder de chefia de Júnio sobre as forças da natureza.
Os soldados comiam e bebiam junto às fogueiras acesas na noite, que todavia não precisava delas para iluminar as formas. A lua era gigante nos céus, e parecia juntar-se à celebração, rendida à valentia e coragem daquele comandante.
A sombra das lanças cruzadas e das águias nos pendões, difundia-se pelos chãos, na confiança longa da caminhada que os trouxera de sul.
Perto da margem, os cavalos bebiam da tranquilidade do Lethes, que inundava de roseiras os terrenos. Pequenas e bravias, mas rubras de um sangue adivinhado. Apesar de tudo, longe daquele que foi derramado ao tempo de Viriato, e que por aqueles anos era já só uma memória vaga de resistência e valentia na voz dos velhos anciãos dos povos daqueles lugares.
Outrora unidos na defesa de um território, corria sangue Celta e Ibério, nas veias dos que eram também lusitanos.
O astuto Viriato conseguiu durante anos unir culturas diversas em torno de um ideal de defesa, infligindo amarguradas humilhações aos romanos invasores, dispostos a alargar o seu império do ocidente, conquistando esta terra de enorme valor estratégico no controlo das rotas.
Matou-o a traição daqueles que controlava com pulso de ferro, que não resistiram ao brilho e esplendor das armas, ao garbo do invasor, ansiosos que estavam por uma riqueza fácil e uma união prometida.
Mas isso já era passado. A noite daquele dia pertencia ao descendente dos Brutus romanos, cujo nome haveria de ficar intimamente ligado à história da Gloriosa Roma, que estenderia os seus tentáculos de poder por mais quatro séculos no ocidente.
Por isso, bebiam os homens com tempo, a cerveja ( uma bebida de fermentação que já se fazia nessa altura) saqueada nas aldeias, e rodeavam-se das virgens que deixavam de o ser em noites de euforia como estas e que acompanhavam os exércitos no seu caminhar, roubadas aos pais, mais todos os alimentos e animais necessários às tropas.
As mais belas moças estavam destinadas ao comandante e seus chefes militares.
Naquele dia Brutus achou que merecia a mais bela. Mandou chamar para o seu leito uma jovem de cabelos cor de trigo, agarrados ao longo de um entrançado de flores, filha de um druida que encontraram num pedaço de floresta, e que vivia sozinho com ela.
A rapariga apareceu à sua beira trespassada pela luz do exterior. Numa túnica branca que lhe foi dada a vestir, sem mais nada por debaixo, depois das mulheres a terem perfumado em banho de rosas colhidas às margens.
O heróico comandante tremeu com a sua beleza, ele um homem bravo e destemido. O seu corpo tinha as formas do rio, de braços longos e mãos finas, como se uma deusa se tratasse. Os olhos de água, cheios de um brilho que ofuscava, como se fazendo parte daquele que a lua exalava.
Chamou-lhe Roma.
Possui-a como um bárbaro. Ofegante. Várias vezes. Sem que em nenhuma delas a moça mexesse os olhos abertos, ou cerrasse os lábios desenhados por um estranho sorriso..
O sangue da sua desfloração, colara-se à barriga e ao sexo do invasor daquele corpo sereno como as águas do Lethes.
Brutos adormeceu extasiado da bebida e daquela prenda dos deuses com que se lambuzara, sonhando com a sua Roma de circos, de comércio, esplendor e prosperidade, sentindo-se dela um filho dedicado.
Nessa noite fora também amante dela no corpo belo de uma outra, e não viu nem reparou quando esta deixou a tenda caminhando, libertando os cabelos antes cerrados por flores, em passos que abriam olhos de luz na terra como se rosas germinando se tratassem.
Passou por alguns soldados ébrios que não conseguiram sair da intenção de a agarrar, continuando a sua imperturbável caminhada até entrar nas águas, que não mexiam à sua passagem, para grande espanto de alguns romanos que a observavam de perto.
Todos pensaram que tal facto se deveria à bebida ingerida, esfregando os olhos para sair daquele estado de alucinação ou miragem, mas sem resultados práticos.
Alguns tentaram caminhar na sua direcção, mas sentiram as pernas presas, incapazes de se moverem.
A jovem desapareceu numa tranquilidade de morte nas águas do rio, e durante alguns minutos o silêncio foi total no acampamento. Nem um único ruído. Até que os cavalos começaram a relinchar como loucos, levantando as patas no ar, tentando a todo o custo libertarem-se das cordas, tornando impossível que qualquer um chegasse perto.
Foram avisar o comandante daquilo que se passava, vindo este embrulhado no pano que o cobria até junto das águas, na esperança de ver aparecer o corpo da malograda rapariga, que todos pensaram, ele próprio incluído, havia escolhido a morte como fuga.
-Paciência, não faltariam mulheres bonitas na caminhada. E em todas desembainharia a sua libido. – Foi o que pensou quando já se retirava novamente para a tenda para descansar. Porém algo estava diferente na noite. Como se a luz da lua tivesse crescido de intensidade, transformando em manhã a noite curta.
E assim permaneceu, até a lua se retirar e um sol forte e quente se ter erguido por detrás do promontório.
Ninguém conseguiu dormir nessa noite, e os soldados falavam já da maldição das águas, temendo que o esquecimento se apoderasse deles com efeito retardado.
Quando se levantou, e enquanto se lavava, Júnio reparou numa mancha escura que ocupava todo o seu sexo e barriga, e que teimosamente se tinha entranhado na pele, por mais que lavasse, por mais que esfregasse. Quase entrou em pânico, pois quanto mais tentava, mais escurecia aquela nódoa de cor avermelhada, marca de sangue da noite anterior que não o largava.
Decidiu não fazer qualquer comentário acerca daquele facto, pois que nervosos já se encontravam os soldados, ansiosos por largar aquele lugar dos mágicos acontecimentos da noite anterior.
Assim fez. Mandou preparar as tropas e ninguém olhou para trás quando a marcha se iniciou, convencidos que haviam perturbado os deuses naquela travessia, temerosos como não convinha para as investidas que se adivinhavam.
Ninguém viu conforme se foram afastando, um corpo nu a surgir vertical das águas, um corpo imaculado de mulher, que caminhou sobre elas até à margem e se firmou na terra, fazendo nascer rosas à medida que se afastava em sentido contrário à marcha da legião.

Os séculos passaram. Uns atrás dos outros. A memória curta dos homens deixou para os historiadores os factos conhecidos da passagem dos romanos por estas terras do actual Minho. O Lethes chama-se agora Lima, e as suas águas passam a ponte de uma das mais antigas Vilas de Portugal.
Em Vitorino das Donas, no local aproximado onde há mais de dezanove séculos atrás se deu este episódio que contei, vive um homem de nome Júnio. (Nome que aparece algumas vezes na genealogia minhota. Estranhamente ou talvez não.)
É barqueiro. Atravessa algumas pessoas, poucas, que usam esse meio fluvial para chegar rápido á outra margem, em tempos de Verão, para se banharem nas águas e se refastelarem no areal branco que se avista do outro lado.
Certo dia em que conversávamos, o barqueiro, de cigarro que lhe ofereci aceso a um canto dos seus lábios e dedos queimados, contou-me uma estranha história:
Parecem falar os mais antigos da lenda da Senhora das Águas, que em manhãs de nevoeiro aparece nua como veio ao mundo nas águas daquele lugar. O meu interlocutor diz-me que ele próprio a viu quando era mais pequeno, juntamente com um primo que anda emigrado em França.
Parece que a “Senhora” fica por ali uns minutos, com uma estranha claridade nos céus, pairando sobre as águas serenas do Lima, transmitindo uma sensação de bem-estar e paz a quem a avista.
E é aqui que se dá o milagre que me conta, de olhos grandes, avistando-se neles ao fundo a sombra de uma vara estendida, sulcando as suas memórias.
…Há muitos anos atrás, vivia por ali um casal que se dedicava à agricultura e à moagem. Habitavam um moinho acima daquele lugar. Eram felizes, pois a terra era generosa para eles e faziam ainda bom dinheiro na moagem e cozedura do pão.
Tinham porém uma amargura na vida. A mulher não conseguia engravidar, e desejavam muito ter um filho.
As rezas nunca trouxeram o efeito desejado, muitos menos a copula. Era como se o seu amor fosse estéril, bem ao contrário da terra da qual eram filhos.
Certo dia em que passavam com o burro o açude seco, a mulher colocou mal os seus pés nas pedras, tombando para dentro da água. O aflito moleiro tentou por todas as formas salvar a sua amada, mas esta desapareceu nas águas, de cabelos trigueiros submergidos nas águas.
Mergulhou em vão para recuperar o seu corpo, e fizeram-no todo o dia em barcos os habitantes das cercanias, mas nem sinal do amor daquele homem.
Nessa noite, enquanto rezava, na vigília da sua tristeza, ouviu passos acercando-se do moinho, que estranhamente não se confundiam com o barulho das águas a correr nas pás. Nem o da pedra de moer, que pareciam ter-se calado.
Assim que veio ao exterior, uma estranha claridade estava por todo o lado, vinda de uma lua cheia, das maiores que algum dia havia visto.
Calçando-se da sua luz, a mulher que amava caminhava na sua direcção.
Estranhamente não conseguiu perguntar nada. Deixou-se só envolver nos seus braços longos, nos seus dedos finos, fazendo amor de corpos nus nas pedras gastas pelas rodas ferrugentas na calçada.
Passados nove meses, nasceu uma bela criança. Uma menina de olhos largos como o rio, a quem chamaram Roma.
E quando lhes perguntam porque o fizeram, fecham-se num sorriso de rosas que estava por todo o lado.”
Contei como me contaram.