sábado, 27 de dezembro de 2008

Numa colmeia de palavras as abelhas são as prostitutas mais belas

Para Marco G.

Há palavras pétalas por todo o lado tombando no chão do poema. Um cheiro doce.
Vindas do nada as abelhas.
Num instante incendeia-se o ar de uma serenidade de asas, de uma combustão criativa.
As letras uma por uma sugadas, palavra a palavra devoradas.
A boca do poema derramará sem pretexto a seu tempo o mel, que é o texto num orgasmo lento.
O poeta é um apicultor dos orgasmos das palavras. Neles se expande mesmo quando se masturba, pois é em si mesmo poema.
Sua alma hermafrodita é prostituta, mas fiel como cada abelha sintonizada à sua colmeia.
Quem junta palavras procura opostos. Rima cada coisa com a sua contradição afinal.
Numa colmeia de palavras as abelhas são as prostitutas mais belas, pois cada uma é a parte mais libertina de um todo lexical.

5 comentários:

Conceição Bernardino disse...

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)
Venho desejar um Feliz Ano Novo e dizer que no ano de 2009 estarei mais presente no teu Blog.
Conceição Bernardino

GabrielPedro disse...

Esse Marco G. é um tipo sortudo por ter amigos assim...ou privilegiado já não sei, mas privilegiado sôa a luta de classes.
Um abraço!

Produções Amante das Leituras disse...

Belas são as imagens que constroem casulo que na linguagem das abelhas chama-se POEMA.

Além de ler frescura nas ideias saídas no inverno.

Helen De Rose disse...

Meu querido José Torres, vc sempre me surpreende com esta sua criatividade maravilhosa!! Aproveito para te entregar o Prêmio Dardos que recebi e posso repassá-lo. Passe no meu blog e leia com atenção o poste do prêmio. bjos da sua fã!

Anónimo disse...

belo poema, este incêndio sereno de asas,de letras, de palavras, este orgasmo lento.
Parabéns, José
Com um beijo,
Bernardete Costa