Para Marco G.
Há palavras pétalas por todo o lado tombando no chão do poema. Um cheiro doce.
Vindas do nada as abelhas.
Num instante incendeia-se o ar de uma serenidade de asas, de uma combustão criativa.
As letras uma por uma sugadas, palavra a palavra devoradas.
A boca do poema derramará sem pretexto a seu tempo o mel, que é o texto num orgasmo lento.
O poeta é um apicultor dos orgasmos das palavras. Neles se expande mesmo quando se masturba, pois é em si mesmo poema.
Sua alma hermafrodita é prostituta, mas fiel como cada abelha sintonizada à sua colmeia.
Quem junta palavras procura opostos. Rima cada coisa com a sua contradição afinal.
Numa colmeia de palavras as abelhas são as prostitutas mais belas, pois cada uma é a parte mais libertina de um todo lexical.
sábado, 27 de Dezembro de 2008
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4 comentários:
"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)
Venho desejar um Feliz Ano Novo e dizer que no ano de 2009 estarei mais presente no teu Blog.
Conceição Bernardino
Esse Marco G. é um tipo sortudo por ter amigos assim...ou privilegiado já não sei, mas privilegiado sôa a luta de classes.
Um abraço!
Belas são as imagens que constroem casulo que na linguagem das abelhas chama-se POEMA.
Além de ler frescura nas ideias saídas no inverno.
belo poema, este incêndio sereno de asas,de letras, de palavras, este orgasmo lento.
Parabéns, José
Com um beijo,
Bernardete Costa
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